segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Data: 11 de Março de 2008 -> páginas 18/19

O segundo encontro era uma incógnita. Nem Bruno nem Lara faziam a mínima ideia sobre como correria ou sobre o que iria acontecer.

Bruno residia, desde o início da sua vida académica, em Almada, na margem sul do rio Tejo. Natural de Braga, o seu sotaque não era carregado, mas fazia-se notar.

Lara vivia em Lisboa desde os seus 6 anos, altura em que o seu pai decidiu mudar de casa. Tendo nascido no Algarve, sentia-se, no entanto, mais lisboeta do que algarvia. Afinal, tinha vivido os momentos mais felizes da sua vida em Lisboa. Foi lá que fez os seus estudos obrigatórios, altura em que todas as crianças fazem os amigos que ficam para toda a vida.

A aclamada decisão sobre o futuro da relação entre Bruno e Lara não iria englobar um jantar. Tinham decidido, em conjunto, que seria melhor tomar um café num sítio calmo, onde pudessem conversar e trocar impressões.

Eram cinco da tarde quando Bruno acordou. Decidiu tomar um banho de imersão. Estava a precisar de reflectir sobre o que se passava na sua cabeça. Preparou a banheira, deixou a água arrefecer um pouco e deixou-se imergir. Sem respirar, pensou. Breves segundos davam histórias de vidas intermináveis.

Estava confuso. Bruno não sabia o que era estar apaixonado. Perguntava-se se seria aquilo que, naquele momento, o atormentava. Pensou que se o amor fosse sempre assim, mais valia tirar umas férias vitalícias. Lara era uma pessoa que defendia os seus ideais com convicção, tal como a sua pessoa. Era inteligente e perspicaz. No entanto, Bruno não gostava de dar o braço a torcer e não achava Lara capaz de o fazer. E, se nenhum dos dois o fizesse, aquela relação nem um início iria ter.

Maldição, onde se tinha metido. Será que todo este trabalho valeria realmente a pena? Já estava habituado à solidão. Porque não aproveitar os momentos agradáveis que esta propicia?

Bruno achava ter apenas e só uma certeza. Finalmente nutria sentimentos que não indiferença. Não sabia se era agradável. Era, isso sim, diferente. Um mistério. E ele gostava de mistérios.

Respirou. Acabou o banho, vestiu-se, colocou um pouco de perfume, embolsou as chaves e dirigiu-se para o barco que fazia a travessia de Almada para Lisboa. O encontro seria ao pé da faculdade.

Se Bruno tinha acordado às cinco da tarde, Lara não tinha chegado a adormecer. Estava extremamente ansiosa por aquele simples café. Viu-se ao espelho e notou ligeiras olheiras. Nada que uma breve maquilhagem não disfarça-se. Tomou um duche e escolheu a roupa que iria usar. Camisola verde e casaco branco, juntamente com umas calças de ganga justas e escuras e umas sabrinas pretas. Nunca tinha sido esquisita, nem tão pouco demorada ou indecisa a escolher roupa. Algo que a favorecia no tempo de preparação mental para o que poderia acontecer naquele dia.

A sinceridade teria de dominar o encontro. A emoção deveria pairar com suas asas magistrais de veludo. O interesse mútuo deveria sentir-se como nunca. A paz interior seria tão intensa quanto a natureza num dia de Verão. Os sorrisos seriam constantes e abertos, como se aquele fosse o último dia das suas vidas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bem oh Mendez :D
Gostei... Sim senhora, tás lá ;) Agora é só continuar e qualquer dia estás a publicar o livro :D
Ah, já agora, a ver se me ofereces um autografado... Fui a primeira pessoa a comentar o teu novo espaço :)

Beijinhos*