O segundo encontro era uma incógnita. Nem Bruno nem Lara faziam a mínima ideia sobre como correria ou sobre o que iria acontecer.
Bruno residia, desde o início da sua vida académica, em Almada, na margem sul do rio Tejo. Natural de Braga, o seu sotaque não era carregado, mas fazia-se notar.
Lara vivia em Lisboa desde os seus 6 anos, altura em que o seu pai decidiu mudar de casa. Tendo nascido no Algarve, sentia-se, no entanto, mais lisboeta do que algarvia. Afinal, tinha vivido os momentos mais felizes da sua vida
A aclamada decisão sobre o futuro da relação entre Bruno e Lara não iria englobar um jantar. Tinham decidido, em conjunto, que seria melhor tomar um café num sítio calmo, onde pudessem conversar e trocar impressões.
Eram cinco da tarde quando Bruno acordou. Decidiu tomar um banho de imersão. Estava a precisar de reflectir sobre o que se passava na sua cabeça. Preparou a banheira, deixou a água arrefecer um pouco e deixou-se imergir. Sem respirar, pensou. Breves segundos davam histórias de vidas intermináveis.
Estava confuso. Bruno não sabia o que era estar apaixonado. Perguntava-se se seria aquilo que, naquele momento, o atormentava. Pensou que se o amor fosse sempre assim, mais valia tirar umas férias vitalícias. Lara era uma pessoa que defendia os seus ideais com convicção, tal como a sua pessoa. Era inteligente e perspicaz. No entanto, Bruno não gostava de dar o braço a torcer e não achava Lara capaz de o fazer. E, se nenhum dos dois o fizesse, aquela relação nem um início iria ter.
Maldição, onde se tinha metido. Será que todo este trabalho valeria realmente a pena? Já estava habituado à solidão. Porque não aproveitar os momentos agradáveis que esta propicia?
Bruno achava ter apenas e só uma certeza. Finalmente nutria sentimentos que não indiferença. Não sabia se era agradável. Era, isso sim, diferente. Um mistério. E ele gostava de mistérios.
Respirou. Acabou o banho, vestiu-se, colocou um pouco de perfume, embolsou as chaves e dirigiu-se para o barco que fazia a travessia de Almada para Lisboa. O encontro seria ao pé da faculdade.
Se Bruno tinha acordado às cinco da tarde, Lara não tinha chegado a adormecer. Estava extremamente ansiosa por aquele simples café. Viu-se ao espelho e notou ligeiras olheiras. Nada que uma breve maquilhagem não disfarça-se. Tomou um duche e escolheu a roupa que iria usar. Camisola verde e casaco branco, juntamente com umas calças de ganga justas e escuras e umas sabrinas pretas. Nunca tinha sido esquisita, nem tão pouco demorada ou indecisa a escolher roupa. Algo que a favorecia no tempo de preparação mental para o que poderia acontecer naquele dia.
A sinceridade teria de dominar o encontro. A emoção deveria pairar com suas asas magistrais de veludo. O interesse mútuo deveria sentir-se como nunca. A paz interior seria tão intensa quanto a natureza num dia de Verão. Os sorrisos seriam constantes e abertos, como se aquele fosse o último dia das suas vidas.
Um comentário:
Muito bem oh Mendez :D
Gostei... Sim senhora, tás lá ;) Agora é só continuar e qualquer dia estás a publicar o livro :D
Ah, já agora, a ver se me ofereces um autografado... Fui a primeira pessoa a comentar o teu novo espaço :)
Beijinhos*
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